Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

A Noiva do Circo

Quando ouvi cantar o galo, disse para comigo: - Falta pouco para o dia começar a despontar. Sai da cama rapidamente e comecei preparar-me para viajar com o Castanho até à feira de Santa Clara.
Sofia não me saia do pensamento. Eu revia, a todo o instante a sua imagem, recordando, continuadamente, os seus olhos cor do céu. Aprendera a ler neles os seus pensamentos desde o primeiro momento em que a conheci. – O seu corpo franzino, a sua expressão dócil num rosto cheio de ternura, tocaram a minha sensibilidade. Eu descobri que estava ali o tesouro que há muito procurava.


Depois, foi esperar que o espectáculo do circo acabasse, para inventar um sistema que me permitisse falar com ela. Nesse primeiro momento também verifiquei que Sofia não era uma estrela de circo, o seu papel durante o espectáculo era: carregar, rapidamente, os utensílios, deixados pelos artistas na pista, para o interior, afim de não quebrar a sequência do espectáculo. Eu nesses momentos acompanhei todo o seu trabalho, e verifiquei a sua modéstia, em contraste com os artistas que recebiam palmas depois da execução dos seus números. Eles mostravam o seu orgulho pela forma artística como os interpretaram.
Ao contrário daquilo que imaginei, ela não saiu do circo para ver a feira, como fizeram os seus colegas. Contudo não desisti do meu intento. E na manhã do segundo dia da feira, muito cedo, eu comecei a rondar o circo. A minha intuição dizia-me que a veria sair.
Não esperei muito, e via-a acompanhada por uma mulher, que não foi difícil perceber ser a mãe. Também se notava que iam às compras, pois levavam sacos diversos.
Foram dois dias de ansiedade para conquistar Sofia. Era notório que ela tinha medo de amar alguém. Contudo, esse era o único obstáculo que eu tinha de vencer, porque a mãe e o padrasto não opuseram obstáculos ao meu pedido da mão dela. Pois, Sofia era filha da senhora, e enteada do seu segundo marido que depois vieram a ser pais dos seus quatro irmãos; somando assim, sete bocas para alimentar com os poucos rendimentos obtidos. Logo, era uma felicidade se Sofia saísse de casa. Ela que até nem fora feliz quando a obrigaram a fazer um número de circo com os seus irmãos. Pois tudo redundou num fracasso. Ficando assim reduzida aos trabalhos da cozinha e auxiliar de pista.
Depois de ter acompanhado o circo na sua deslocação por diversas feiras, Sofia aprendeu a confiar em mim. Então só havia mais um passo dar: tratar da pequena cerimónia do casamento.
Hoje, era um dia feliz para mim e Sofia. Quando sai de casa olhei para todos os recantos para verificar que estava tudo em ordem, afim de receber a dona daquele lar.

Na cavalariça enquanto selava o Castanho mandei-o sossegar. Pois ele estava contente, porque sabia que aquele ritual era para sair.

A simples cerimónia de casamento favoreceu os nossos desejos de estarmos a sós para sempre. Sofia antes de sair da Igreja ajoelhou aos pés de Santa Clara e rezou. Não a vi sorrir. Depois, perguntei-lhe porquê.

- Querido agradeci o milagre que sempre sonhei – Sofia olhou-me demoradamente e eu senti a sua felicidade pelo bater do seu coração. Depois com um demorado olhar despediu-se de Santa Clara.
Quando saímos da Igreja ouvimos algumas pessoas dizer: - É a noiva do circo.
A caminho de casa, o Sol envolveu-nos com a sua luz doirada e o Castanho transportava-nos caminhando suavemente, parecia querer dar-nos tempo para sentirmos o ambiente que nos rodeava. A pouco e pouco os ruídos da feira foram ficando para trás, e os braços de Sofia cingiam a minha cintura com mais força. E ouvi as suas palavras expressando a sua felicidade com um hino à Natureza. Senti dentro de mim uma enorme emoção, pois reparei que ela era uma poetisa. Mandei parar o Castanho, porque avistara a nossa casinha e apontando na sua direcção disse a Sofia que aquela era a nossa morada. Então, pensei antecipar a cerimónia de entrada no nosso lar, contemplando o cenário que o rodeava
.
Já no chão, ajudei Sofia a descer do cavalo. Depois de um prolongado beijo, olhamos a pequena cidade que morava lá em baixo, junto ao rio. Este deixava sair das suas águas o fino nevoeiro colorido pelas cores do Arco-Íris, e subia a colina na nossa direcção. A minha poetisa descreveu todo aquele cenário de forma tão mística que me senti invadido por um encantamento enorme. Os nossos corpos tocaram-se e ali ficamos com a imagem daquele Universo pulsando dentro de nós.





Mais uma postagem com um texto de minha autoria e que escrevi num momento de forte inspiração.

Terça-feira, 10 de Março de 2009

Teatro - OS DIAMANTES

3º Acto

Cena I


Personagens:


João. Comerciante

Diana. Comerciante



Um personagem está sentado á sua secretária e tem sobre ela um pequeno cofre, de onde retirou alguns pacotinhos de papel, e coloca-os na sua frente. Manuseou um deles e na palma da sua mão caíram algumas pedras preciosas – eram diamantes – os seus olhos sentiram o impacto de centenas de reflexos de luz, de diversas cores, vindos dos cristais.

- Ah Diana, Diana! Quando veres estas maravilhas desmaias, e o teu marido tem de me dar por cada lote, o dinheiro que eu lhe pedir e em notas do Banco de Portugal.
A campainha da porta tocou. João em gestos rápidos meteu as pedras no pacotinho, e foi abrir a porta.

JOÃO

Boa tarde D. Diana! – Na frente de João apareceu uma mulher nova e elegantemente vestida, o seu rosto expressou um sorriso encantador. Trazia na mão uma pequena valise de cor vermelha. – Desde o meio-dia que os espero, julguei que tivessem desistido do negócio. (João espreitou para a rua). Então o Sr. Arthur?


DIANA

Ficou em Lisboa. Sabe, ele não gosta de nada de viajar de avião. Tem medo de haver algum problema e depois já não goza a fortuna. Para fazer a viajem de carro, diz que já não tem paciência para isso. Por outro lado, ele foi de opinião que, para movimentar tanto dinheiro uma mulher tem outras facilidades.


JOÃO

Entre, entre! Faça de conta que está em sua casa. (João deixou que Diana desse uns passos na sua frente, depois, deixou transparecer, no seu rosto, um ar satisfeito).




DIANA

Então o seu pessoal ficou a gozar férias?

JOÃO

Bem! Eu disse-lhes para ficarem mais uns dias. Enquanto eu vinha tratar deste negócio. E depois, para mim, acima de tudo estão os negócios. Tenho pena de o seu marido não estar presente, porque isto é um negócio de peso.

DIANA
Marido! É como quem diz… É um marido emprestado. Eu tenho o papel de: “A Outra” Porque a mulher dele tem a mania de mandar em tudo.


JOÃO
Mas eu quando estive na ourivesaria, em Lisboa, a mostrar um diamante, ele disse-me que você era mulher dele. Mas pronto, agora já entendo. De facto há muitas mulheres que mandam nos homens, mas não têm jeito para os negócios. Então penso que ele fez uma boa escolha. E se é assim, as mulheres mandarem, então vamos ao negócio.


DIANA
Ora assim já nos entendemos. Vocês, homens, têm que se convencer que já passou o tempo de serem os senhores comerciantes. Agora, somos todos iguais e ganha aquele que for mais inteligente.


JOÃO
Estou de acordo D. Diana. Ora aqui está uma cadeirinha e vamos ao que interessa.


DIANA
Bem, em primeiro lugar, não vai haver Dona nem meia Dona. Vamos tratar-nos simplesmente pelo nosso nome, próprio. E acabam-se as etiquetas. Ora vamos ver essas maravilhas. (Diana olhou João, bem nos olhos) e, este ao manusear o pacotinho, fê-lo desastradamente e, um dos diamantes rolou para o chão. Diana baixou-se no mesmo momento que João, e as suas cabeças embateram uma na outra.



JOÃO

Então, já estamos a começar com sorte. – Diamante no chão é: carga caída, sinal de carga vendida. Logo, é um sinal que vamos fazer negócio, mas se calhar não me consegue comprar tudo. – João não conseguia disfarçar a sua dificuldade em separar as pequenas pedras. Foi Diana quem retirou da mão dele alguns diamantes.

DIANA

João, as pedras são lindas! Mas com certeza não terão o valor comercial que imaginas. Vá! Vamos lá ser razoáveis. E enquanto pensamos bem, seria melhor beber qualquer coisa para animar o negócio. (Diana encostou-se na cadeira e espreguiçou-se numa atitude insinuante). – Penso que tens vinho do Porto. Sim uma casa portuguesa sem vinho, não é nada.



JOÃO
Rapariga aqui não falta nada! Vamos a isso (Para surpresa de Diana, João deu outra entoação à voz e, rapidamente, foi buscar a garrafa de vinho do Porto e dois cálices, colocando tudo sobre a secretária. Encheu-os e propôs um brinde, expressando o desejo de longa amizade e muitos negócios, enquanto fixava o seu olhar em Diana.

DIANA

Pronto! Então vamos ao negócio e deixemos o resto da festa para depois. (Diana pronunciou as palavras lentamente e João sorriu) Então quantas pedras tens e quanto valem?



JOÃO
Olha, as contas são muito simples: seis lotes de cinco pedras cada um, a mil euros cada lote, tens de me dar seis mil euros.



DIANA

- João! Tu não estás bom! Olha, para acabarmos já as manobras do regatear, porque eu não tenho jeito para isso. Ficamos nos cinco mil euros cada lote. Se aceitares muito bem, senão saio já, vou dar uma volta por Paris e sigo no primeiro comboio para Lisboa.



JOÃO

Oh! Minha querida amiga! Tu nem imaginas como foi difícil, adquirir esta beleza de diamantes. Olha que são pedras puras! Não me é possível vender por menos um cêntimo. (Diana sem proferir uma palavra, segurou a valise e encaminhou-se para a porta. João ficou a olhar para ela, que parou junto da porta da rua, esperando que ele a fosse abrir. Ele caminhou, lentamente, até junto dela e segurou-lhe as mãos). - Só tu é que me fazes render aos teus caprichos. Aquele Artur não sabe o tesouro que tem. - (Diana sorriu). Pronto! Negócio fechado. Vamos conferir o material e o dinheiro… E para finalizar, eu pago o jantar. (Diana sorriu e respondeu: “Tinha que ser João”)





------------




Cena II

A Sala ficou vazia e momentos depois a porta abriu-se. Entraram três personagens:

Antónia, Leonor e Miguel.


ANTÓNIA
- Eu não disse! Que era o João que ia no táxi com uma mulher! Pois! Ele quis vir mais cedo para isto. Cheirem o perfume! É dele! E ali a garrafa e os dois copos! Ah! Mas que pena não termos chegado uns minutos antes! Que eu apanhava-os aqui e arrancava os cabelos àquela maluca. Veja bem Leonor! Chegamos um dia antes e eu dou com uma coisa destas… Ah! Meu Deus! Com quem anda aquele homem metido... Miguel vê se convences o teu irmão a sair daqueles negócios. Lembra-lhe que a mulher dele sou eu...

Para variar, aqui vai um pequeno texto: extraído de uma das minhas obras.









Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

LEONARDO E AS MUSAS

«Leonardo, soldado bem disposto,
Manhoso, cavaleiro e namorado,
A quem Amor não dera um só desgosto,
Mas sempre fora dele mal tratado,
E tinha já por firme pressuposto
Ser com amores mal afortunado,
Porém não que perdesse a esperança
De inda poder seu fado ter mudança,»

«Oh! Não me fujas! … (Ninfa) .....»




«Nesta esperança só te vou seguindo:
Que ou tu não sofrerás o peso dela,
Ou, na virtude de teu gesto lindo,

Lhe mudarás a triste e dura estrela!
E se se lhe mudar, não vás fugindo,
Que Amor te ferirá, gentil donzela,
E tu me esperarás, se Amor te fere;
E se me esperas, não há mais que espere!»


«Já não fugia a bela Ninfa tanto,
Por se dar cara ao triste que a seguia,
Como por ir ouvindo o doce canto,
As namoradas mágoas que dizia.
Volvendo o rosto, já sereno e santo,
Toda banhada em riso e alegria,
Cair se deixa aos pés do vencedor,
Que todo se desfaz em puro amor.»




«Oh! Que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves! Que ira honesta,

Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo»




Canto: IX
Estrofes: 75,79,81,82 e 83
Em: Os Lusíadas
Obra de: Luís Vaz de Camões
Século XVI












Para variar, hoje resolvi homenagear o nosso grande poeta: LUIS VAZ DE CAMÕES.





Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

O ENCONTRO

Rossana, com o coração pulsando de alegria, ali ficou olhando Octávio, até este e todos aqueles que acompanhavam Teodora desaparecessem no caminho que ligava ao palácio dos Duques de Verona. Depois, com Nofrete seguiram para casa. Ela estava feliz pelo regresso de Octávio, - ele acenou-lhe. Por isso agradecia a todos os deuses do Egipto a felicidade de o ver chegar.
Pelo caminho de casa, foi contemplando o céu azul e depois cor de púrpura. Apetecia-lhe cantar toda a música que compusera para ele.
A noite chegou depressa, e os ruídos da população foram diminuindo de intensidade. Na cidade começou a reinar o silêncio.
Em sua casa, durante o jantar, o seu comportamento exuberante, não surpreendeu os pais. Eles sabiam o porquê da sua alegria.
Finalmente, Rossana, estava na varanda olhando a entrada do portão, esperando ouvir o ranger dos gonzos. A princípio imaginou mil coisas. Depois, essa emoção foi-se desvanecendo. Receosa de perder a alegria que sentia pediu a Nofrete que ficasse ali, enquanto ela ia tocar, na harpa, a música favorita de Octávio.
Momentos depois Nofrete deixou de ouvir a bela melodia e viu Rossana caminhar lentamente para a varanda
- Ah! Querida Nofrete, ele nunca mais chega.
- Menina, hoje é um dia muito importante. E ele tem de receber as honras de toda a gente. Depois, a mãe, o pai e a irmã devem estar sós em casa, e ele vai ter de partilhar com eles as suas alegrias. Amanhã, ao romper de aurora ele estará aqui.
- Tens razão, é tarde e ele já não vem. Vai ser tão difícil passar a noite.


Após um sono muito pequenino, Rossana acordou e, do seu quarto viu o céu passar de cinzento a azul e depois a vermelho. Acreditou nas palavras de Nofrete, e muito silenciosamente começou a preparar-se para o receber. Ainda teve a surpresa de ver Nofrete caminhando silenciosamente para lhe perguntar o que queria comer.
- Querida amiga, eu apenas o quero ver chegar. Diz-lhe que o espero no nosso lugar predilecto. – Rossana saiu. – Ela queria vê-lo naquele espaço dedicado à Natureza e aos deuses. Foi ali que se iniciaram os seus sonhos de amor.


Atravessou o jardim repleto de flores e pequenas estátuas, dedicadas às divindades do Egipto; até chegar ao muro que separava aquelas terras, da margem direita do rio Ádige. Desde criança que adorava contemplar aquele cenário. Enquanto o Sol nascia.
Rossana ali ficou contemplando as águas do Ádige que agora tinham a cor do céu e deslizavam suavemente empurradas pela leve brisa da manhã.
O arvoredo, junto às margens do rio, deixava tombar os seus ramos sobre águas que se tornavam cor de musgo. Daí, começaram a sair pequenos grupos de aves que, num complexo ritual, iniciavam a sua dança matinal, em homenagem ao grande Sol pronto a iniciar a sua viagem. Rossana abriu os braços esticou o seu corpo em direcção do Sol e proferiu uma prece:
- Ó deuses que dormem nas águas tranquilas do Ádige!
- Eu, vossa filha vos peço: trazei-me o meu amor!
- Depressa! Porque estou morrendo de desejo de amar!
- Tragam-me a Fortuna que eu chamo Octávio!
- Acordem!!!
Rossana sentiu no ar, um leve vibrar, e aos seus olhos surgiu a imagem de duas mãos, deixando passar através dos dedos a luz do Sol.
- Adivinha quem é!
- É tão difícil meu amor! – Rossana voltou-se e olhou Octávio nos olhos – durante curtos momentos não falaram.
- Querida! Eu estou aqui. Não é um sonho. E eu tenho tudo o que mais desejei quando estive no inferno. Querida Rossana, amo-te tanto! … As palavras passaram a ser acompanhadas pelos sons melodiosos das águas do Ádige – Octávio abraçou Rossana, com a poderosa força dos seus braços, ao mesmo tempo que as suas mãos acarinhavam o seu rosto, e os lábios uniram-se. Depois, ambos tiveram a grandeza de intuir o grande amor que existia entre eles.




Na sequência dos textos anteriores, aqui fica mais um texto. O meu primeiro abraço para todos, no início deste Novo Ano!





Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

O TRIUNFO DE VERONA

Um exército chefiado por Teodora e Sismundo saiu da cidade em socorro dos combatentes que estavam no fim dos seus recursos em homens e armas.
Com Ludovico ferido gravemente, os capitães ficaram com poucas soluções para aguentar a força de um inimigo bem organizado que se apresentava com algumas peças de artilharia, que a pouco e pouco ia fazendo recuar as tropas de Verona, as quais se reuniam à volta do círculo estabelecido para defender Ludovico e aguardar a chegada do mensageiro com ordens para recuar até às portas da cidade ou combaterem ali.



Quando Teodora apareceu no cimo da colina, o que ela e Sismundo avistaram era deplorável – ali estava um cenário que mostrava como os seus homens se defendiam, encarniçadamente, à volta da tenda que abrigava Ludovico. A cavalaria veneziana estava toda ali. A bandeira com as armas de Verona tinha desaparecido, mas noutro local um pequeno grupo de cavaleiros de Verona tentava irromper pelas fileiras inimigas e chegar junto dos artilheiros que carregavam os canhões para depois despejarem o seu conteúdo sobre o exército de Verona.
Teodora, enquanto Sismundo preparava os seus homens para entrarem em combate, assistiu àquilo que pensou ser o fim daquele punhado de homens que obedeciam às ordens de um cavaleiro sem insígnias de chefe. Eles estavam a tomar de assalto a área onde se encontravam os canhões para conseguirem chegar junto deles antes de os artilheiros carregarem de novo as peças. Teodora mandou chamar Sismundo para junto de si e indicou-lhe o espaço que esses homens estavam a criar, e depois viu-os calar os canhões e desbaratar o pessoal que os manobrava. Aquela oportunidade era única para ocupar esse espaço e apontar os próprios canhões dos Venezianos contra eles. - Teodora e Sismundo viram, ainda, a oportunidade de atacarem os venezianos pelas costas. Assim, distribuíram a cavalaria, fresca, de forma a atacar a infantaria veneziana que ainda tentava reconquistar o reduto dos artilheiros e reduto da logística do exército em geral.
A rapidez como agiram todos os sectores comandados por Sismundo, surpreendeu os venezianos que tentavam socorrer a área onde estava a artilharia, mas, agora, apontada para eles que quando chegaram ao alcance de tiro, Octávio deu ordem de disparar, e um número importante de homens e cavalos venezianos foram dizimados.
Teodora, viu que a vitória lhe sorria. Então dirigiu-se para a tenda de Ludovico onde os físicos estavam tentando salva-lo dos graves ferimentos recebidos. Este estava inanimado – fora submetido a operações e vários tratamentos que o deixaram inconsciente. Depois saiu rapidamente para continuar a seguir o desenrolar da batalha. - Porque ali já não podia fazer nada.
De novo olhou o cenário e viu os venezianos que recuavam e alguns fugiam da cavalaria de Verona, abandonando o campo de batalha.

Assim, com o caminho livre, ela foi para junto de Sismundo e os conquistadores da área que estavam na base da vitória. Aí, finalmente, reconheceu Octávio que não tinha o elmo. Ela estava admirada como fora possível, ele ter conduzido os seus companheiros de forma tão inteligente.

Na cidade começou a correr a boa nova – os venezianos tinham sido vencidos.
Mas Daniel recebera ordens para providenciar tudo para enviar socorros para transportar Ludovico para o palácio a fim de ser assistido, logo que entrasse as portas de Verona.
A entrada na cidade foi triunfal. Ninguém sabia que um dos carros, transportava Ludovico, gravemente ferido. Por ordem de Teodora enquanto os carros de transporte de logística entregues ao comando de Daniel foram na direcção do palácio, a cavalaria e infantaria dirigiu-se para a Praça do Coliseu. Aí Teodora convidou Sismundo a falar à multidão e explicar os acontecimentos que levaram à vitória de Verona sobre Veneza e que Ludovico fora ferido em combate.
Octávio, enquanto olhava todos aqueles rostos que aplaudiram o seu feito, estava apenas preocupado em descobrir Rossana. Finalmente viu Nefretite – que era mais alta – depois avistou Rossana que lhe enviou um beijo. Ele levantou o braço e enviou-lhe um adeus muito prolongado, e viu a grande alegria que invadiu o rosto de Rossana. Teodora a seu lado seguiu os gestos dos namorados e sorriu para Octávio.
Teodora disfarçara com aquele sorriso o sentimento de inveja que sentiu por Rossana. Mas no seu espírito gravou-se a ideia que aquele homem, embora jovem conseguiu inventar soluções que contribuíram para alterar o resultado da batalha e daí aquela vitória dever-se a ele e a um punhado de heróis que o seguiram. Portanto homens daqueles têm de estar ao seu serviço. Mesmo que ele seja prejudicado noutras áreas da sua vida, ela queria-o, era só isso que contava.

Amigos, aqui vai uma postagem na sequência das anteriores, sobre Verona.








Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

ILHA DO AMOR

De repente a lua descobriu-se de entre o nevoeiro. A sua luz branca foi-se tornando azul muito clara quando embateu nas águas do mar, que se tornaram lisas como um espelho emitindo luzes de muitas cores. Eram cristais que se espalhavam no ar.

Depois veio o vento deslizando, mansamente, foi construindo pequeníssimas ondas que falavam baixinho. Mas eu, sempre atento aos segredos da Natureza, ouvi as suas palavras que contavam histórias das vidas dos seres que viviam no fundo do mar. Elas encheram o meu espírito de fantasias. Ali fiquei sonhando viver num mundo assim. Até ser interrompido pela visão de um vulto de mulher que não era uma sereia.

E não era do mar, mas queria entrar nas suas águas profundas. Corri, quis acompanha-la nessa aventura. Quando a agarrei, na nossa frente uma enorme onda surgiu, e ali estava o Deus Poseidon, senhor das profundezas dos oceanos, aquele que eu conhecia das histórias de mitos, tão antigos como a Terra e o Mar.


Eu e ela ficamos na sua frente. Com a sua voz de trovão ele disse-nos que era o rei daqueles mundos. Onde só entram seres vindos do universo dos deuses. Ela desmaiou e o deus do mar desceu ao seu reino. E eu transportando o delicado corpo, deitei-o na praia. Depois vi abrirem-se uns olhos cor do mar, uma voz meiga falou e um sorriso maravilhoso surgiu. Então ela contou que uma força misteriosa a levara até ali para encontrar o amor que sempre sonhara.






Meus amigos, para quebrar a rotina dos textos históricos, decidi hoje publicar este pequeno texto de prosa poética.




Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008

VERONA IV

Teodora não conseguiu reprimir um grito de raiva quando foi informada, pelo mensageiro que lhe relatou o resultado da batalha contra os venezianos. – O marido caíra gravemente ferido, mas foi salvo por Octávio, e o exército de Verona teve de recuar perante a pressão do inimigo e estava privado das ordens do chefe máximo. Em breve a batalha travar-se-ia junto das muralhas. Este era um cenário que Teodora não queria ver de modo nenhum. Daniel estava a seu lado, acompanhava-o o chefe militar da cidade. Sara, a filha, que Teodora destinara para casar com Daniel, bordava um pano de linho. Quando ouviu o grito da mãe levantou-se e olhou-a esperando que ela lhe desse ordem para abandonar a sala. Mas tal não aconteceu. Porque Teodora queria que a futura mulher dum militar esquecesse os medos de infância.


Daniel perante a atitude de Teodora apenas sentiu que a seu lado estava uma mulher que ele admirava desde o primeiro momento que a vira ao lado de Ludovico, e muito junto de si, quando foi nomeado para chefe da guarda do palácio – ela sorriu-lhe, enquanto Ludovico fazia o pequeno discurso de imposição de poderes. Daniel quase não ouviu as palavras de Ludovico, porque o sorriso dela foi tão enigmático que ele não percebeu se era pela nomeação ou sentimento de admiração. – Ele estava longe de imaginar os planos de Teodora a seu respeito.
Daniel desde que entrou para o serviço do Duque começou a ouvir contar muitas histórias sobre a vida de Teodora, e rapidamente começou a admirá-la. Assim, este foi o momento que mais ambicionou. Estar ao serviço dela. Agora só Sismundo lhe fazia sombra por ser seu superior na hierarquia militar. Sim porque agora ele era o chefe da guarda que defendia a área do palácio. Enquanto Sismundo como chefe militar da cidade governava fora do seu âmbito. Eles estavam ali porque Teodora os mandara chamar para falar de assuntos relacionados com a defesa da cidade e seguirem atentamente o desenrolar da batalha.
Teodora ordenou ao mensageiro que aguardasse na sala dos visitantes. Depois voltou-se para os dois homens que estavam preparados para ouvir mais desabafos. Mas tal não aconteceu, porque o rosto dela adquiriu a cor normal e caminhou na direcção da parede onde estava um mapa de pequena escala, retirou-o e veio estende-lo sobre a mesa. E em poucos minutos disse aquilo que pensava ser o melhor a fazer. Depois pediu-lhes para darem a sua opinião sobre qual a melhor estratégia para se cumprir o seu plano. Que se resumia a sair ao encontro do inimigo e travar a batalha fora da cidade.
Sismundo, chefe militar e homem de confiança de Ludovico, não teve dúvidas em afirmar – que o melhor seria defender-se dentro das muralhas da cidade. Porque saindo ao encontro do inimigo podia acontecer o pior e depois seria penosa a defesa da cidade que estaria reduzida a poucos efectivos. Por seu lado Daniel, pressionado pela ambição, sentiu que tinha uma oportunidade de mostrar a sua coragem perante uma mulher que já era corajosa por natureza. Então e para espanto de Teodora, Daniel desenhou um esquema e descreveu as tácticas que usaria para lutar contra os venezianos.





Sismundo tentou convencer Teodora da fragilidade dos planos de Daniel, mas foi em vão.
Teodora usando da sua autoridade, impôs os planos dela e de Daniel. Ao mesmo tempo que ordenava a Sismundo para mandar reunir os seus capitães imediatamente, dando ordens para prepararem os soldados disponíveis, afim de saírem em socorro do exército que combatia os venezianos. E avisou que ninguém devia saber que o Duque estava ferido. Depois de Sismundo sair, mandou chamar o mensageiro e deu-lhes instruções que informavam aquilo que ia fazer para ajudar os homens que se encontravam na batalha. E mandou-o seguir de imediato a transmitir as suas ordens. Enquanto aguardava a chegada de Sismundo e os seus capitães, Teodora pediu a Sara que se aproximasse da mesa e depois foi-lhe explicando algumas regras que devia usar na sua ausência.

Sara abriu a boca para falar, mas Teodora adivinhou-lhe os pensamentos e disse-lhe que a partir daquele momento ela tinha que assumir-se como mulher – bem ou mal – e como sua sucessora se ela não regressasse. E aceitar Daniel como o seu protector e marido.
As palavras de Teodora proferidas solenemente e cheias de autoridade apanharam Daniel e Sara desprevenidos. Este apenas sorriu ao mesmo tempo que pensava na oportunidade de se integrar na família de Teodora. Sara apenas proferiu um, mas, muito baixinho. Porque a mãe ordenou-lhe de imediato que fosse dar ordens para prepararem o seu cavalo e a sua armadura de guerra.
A sós com Daniel Teodora foi-lhe confidenciando que a partir daquele momento ele iria desempenhar altos cargos na família e mais propriamente como homem de confiança dela. E, se houvesse derrota de Verona e Sara não conseguisse afirmar-se como Duquesa de Verona. Ainda havia a mulher do Duque de Milão,

que era sua irmã, e era ela que tinha direito ao Ducado de Verona.


E pronto amigos. Aqui fica mais um texto na sequência dos anteriores




Segunda-feira, 25 de Agosto de 2008

Teodora e os Preparativos para a Batalha.



Teodora deixou as filhas, no Salão Persa, estudando história antiga e veio até ao terraço.


Dali viu todo o ambiente da cidade. Era uma visão fora do comum. Por todo o lado brilhavam centenas de archotes. Pareciam desfiles de fantasmas, só não acreditou nisso porque ouvia muitas vozes. Ela com um suspiro iniciou um pequeno monólogo – Será que terei que fazer desaparecer aquele tio para sempre. De outra maneira ele e os venezianos nunca mais me deixam descansar. Mas como?...

Teodora interrompeu os seus pensamentos, porque viu movimentos junto à ponte levadiça. Seguidamente foi-se apercebendo que se tratava do marido e os seus capitães que regressavam do local, onde foram mandar instalar armadilhas para a cavalaria inimiga e suas peças de fogo. Era uma estratégia que ela conhecia muito bem – seu pai preparara-a para a guerra – e ela desenvolveu dentro de si o instinto de guerreira, porque sabia que na Itália a luta entre as Repúblicas não parava e a única forma de sobreviver era lutando.

Agora, mais que nunca, ela teria que confiar no homem que a ajudou a conquistar o lugar que lhe pertenceu por morte do pai. Foi Ludovico chefe de algumas centenas de mercenários
e Quintino grande mercador de Verona; mais outro grande mercador egípcio que a ajudaram a vencer os tios – um caiu definitivamente na batalha o outro fugiu para Veneza onde preparou várias intentonas e foi sempre vencido. Ele queria apoderar-se do poder argumentando que uma mulher, embora sendo a herdeira legítima não teria capacidades para gerir uma grande República. Os dirigentes da República de Veneza aproveitavam esse motivo para tentar conquistar Verona. Eles subestimavam as capacidades intelectuais e políticas de Teodora. A qual não teve a menor dúvida em aceitar as propostas de Ludovico que pedia em troca da sua grande experiência militar – já comprovada em várias batalhas ao serviço de grandes senhores – a participação no poder. Facto que só seria possível pela via do casamento. No aspecto financeiro também teve de fazer algumas concessões, mas estas de ordem mais acessível que se resumiam a fazer cavaleiro e capitão, Daniel, o filho mais velho de Quintino. E Menés que apenas pediu a licença para instalar em Verona um entreposto comercial.


Assim bem apoiada Teodora não teve grande relutância em casar com Ludovico e faze-lo Duque. Também satisfez as exigências dos mercadores que não a repugnaram tanto. Contudo ela atingiu os seus fins.
Assim ao longo dos anos foi-se preparando para se ver livre do tio de uma vez por todas. Depois teria uma via para dar a volta ao problema da sucessão. Seria mãe as vezes necessárias até ter um filho, que seria o seu herdeiro directo ao poder, logo que estivesse preparado para isso.


Mas, Teodora apenas conseguiu dar à luz filhas. E elas ao contrário da mãe nunca tiveram aptidões para nada. Mesmo assim Teodora não se deu por vencida. Logo que foi possível casou a filha mais velha com um homem escolhido por Ludovico.
Após o casamento Bebiana deu à luz uma filha e a seguir nasceu outra filha. Teodora não se incomodou, nada, por ouvir o médico dizer que Bebiana não podia ter mais filhos. Porque tinha ainda mais filhas para casar. Mas agora seria ela a escolher o marido para filha…


Teodora quando calculou que o marido e os homens que o acompanhavam já estavam na sala foi para lá. Ludovico e os capitães informaram da forma como foi prevista a organização da batalha e a possível defesa da cidade caso fossem obrigados a recuar para dentro das muralhas. Depois, para espanto de Ludovico, Teodora ordenou que Daniel, o capitão mais novo, fosse feito comandante da defesa do palácio.


Ludovico, ainda, tentou explicar que já tinham sido destinadas a Daniel as tarefas para defender os armazéns e toda a logística destinada às tropas. Teodora, com um sorriso, convenceu o marido a nomear outro homem para o lugar de Daniel.
Ludovico não pensou nada, viu, de imediato, qual era o plano de Teodora…


- Na sequência dos dois textos anteriores, publico hoje mais este. É mais focado o aspecto da política mas ela sempre existiu. Trata-se apenas de uma introdução.


Quinta-feira, 10 de Julho de 2008

Olímpia Mãe dos Jogos Olímpicos

- Oh Olímpia! Nome sagrado da Antiguidade. Noiva do Mar Jónico e Santuário de Zeus.
- Lá onde todas as Primaveras era reacendida a chama em honra de Zeus.
- Eu vejo-te, em sonhos, rodeada de homens de todas as nações.
- Nesse dia de Primavera todo o Mundo Antigo estava contigo.
- As guerras cessavam e os ódios dormiam.
- Nesses poucos dias, ali estavam entre todos: reis, imperadores… e os jovens, que sedentos de glória pediam a tua protecção para depois te honrarem com as suas vitórias.
- Ao sabor da força das vozes de milhares de espectadores que enchiam o estádio, os atletas, que disputavam todas as provas, sentiam-se imortais.
- Depois, essa coroa de louros tão desejada, que ornamentava as cabeças dos vencedores, era o símbolo da vitória e a honra de ser o favorito de Zeus.
- Eles passavam à história, nas suas terras, como heróis imortais.
Era aquela realidade que tinha o condão de parar toda as guerras por algum tempo. E reunia muitos povos à volta de Olímpia todos os anos, durante séculos (776 a.C. até 393 d. C).

Assim, muito tempo se passou sem que as guerras parassem pelo menos uns momentos para que os jovens desejosos de vitórias, pudessem lutar pacificamente para obter prémios e honrarias.

Mas Olímpia e os seus jogos não foram esquecidos. E em Atenas, no ano de 1896, o espírito do barão Pierre Coubertin fez relançar esse espírito, talvez apadrinhado por Zeus.

Hoje estamos próximos da realização dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, e os jovens de todo o Mundo, vão sentir o mesmo desejo de honras e glórias para si e para as suas Nações.

- Oh grande Zeus! Inspira, tal como no passado, em Olímpia, todos os espíritos dos homens, no sentido de fazer parar as guerras não por uns momentos, mas para sempre.


Escrevi este texto em homenagem à cidade antiga, onde se realizavam os primeiros Jogos Olimpicos, augurando sucesso para os Jogos deste ano.



Fotografias retiradas da Net

Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

A Despedida

- Vai meu filho! Eu sei que a Rossana está ansiosa por te ver.
– Octávio beijou a mãe e a irmã e em seguida caminhou para a sala onde se encontrava o pai e o irmão, saudou o irmão, depois aproximou-se do pai, ajoelhou na sua frente e pediu a sua bênção.
- Ottávio hoje regressa cedo e não fiques mole com as palavras de Rossana, lembra-te que amanhã o teu peito tem de estar cheio de ódio contra eles.
- Sim meu pai! Amanhã vai ser uma grande honra lutar ao lado do nosso Duque.

Quando saiu o portão de casa, Ottávio deparou-se com muitas pessoas que se deslocavam de um lado para outro transportando materiais que ele percebeu irem ser utilizados nos sistemas de defesa da cidade. Vestia discretamente – o gibão cobria toda a indumentária interior – apenas a ponta da espada se deixava ver junto do estribo. Cavalgando, lentamente, foi-se cruzando com algumas pessoas que ele conhecia bem e, elas profundamente embrenhadas nas suas tarefas nem deram pela sua passagem.

Chegado à entrada da ponte sobre o rio Ádige, viu as pessoas, pacientemente, caminhando atrás de carros carregados de materiais – formavam fila sobre a ponte até ao outro lado do rio. Deu prioridade aos que iam carregados e depois, muito lentamente, caminhou atrás deles – ele sabia que lhe faltavam poucos metros para chegar a casa de Rossana – dentro do seu peito não se instalara, ainda, o ódio recomendado pelo pai. Ele sentia que tinha de dar muito amor a Rossana, pois imaginava como deveria estar o seu estado de espírito. Ela que chegou a Verona ainda criança, nunca compreendeu as grandes rivalidades que existiam entre as Repúblicas italianas. – Rossana era filha de banqueiros egípcios, que se instalaram em Verona por agraciamento de Teodora que, também, se valera deles para conquistar os seus direitos de sucessão…

Quando se aproximou da grande casa de Rossana viu, na sua frente, o grande portão de ferro, artisticamente trabalhado, apoiado em duas grandes colunas de estilo dórico.


Os dois guardas reconheceram Ottávio e abriram o pesado portão. Ele cumprimentou-os, em seguida desmontou do cavalo e caminhou pela alameda rodeada de grandes árvores e canteiros de flores.

Aos seus ouvidos chegaram os sons musicais como se fossem água movimentando-se suavemente em pequeninos lagos. Ele sabia quem enviava para o ar aqueles sons tão melodiosos. Mais uns metros e pode ver a silhueta de Rossana, através dos finos cortinados que decoravam a janela que dava para o terraço, ela abraçava a harpa enquanto as suas mãos num movimento suave faziam os seus dedos arrancar das cordas sons quase celestiais.

Depois, os seus olhos viram a silhueta da personagem que velava por Rossana, quando esta atravessou o pequeno terraço em direcção à janela. Subitamente os sons pararam como por encanto. Ottávio parou, ele sabia que dentro de poucos momentos Rossana estaria junto de si.
A porta abriu-se e as figuras de duas mulheres apareceram. Rossana veio rapidamente ao seu encontro – enquanto Nofrete, a sua dama de companhia, se movia lentamente. – Ele tomou as mãos de Rossana entre as suas e levou-as aos lábios permanecendo alguns momentos calado enquanto o seu olhar se cruzou com os olhos de Rossana.
- Querido, estava tão ansiosa por te ver que mal conseguia mexer os dedos para tocar a nossa melodia predilecta. Hoje é um dia tão diferente, sinto uma tempestade tão grande a aproximar-se de Verona…
- Rossana meu amor. Eu sei como te sentes, mas não te aflijas a nossa cidade está a preparar-se para vence-los. Depois, quando eles virem a nossa força não voltarão mais. Vá! Contempla a quietude daquele céu, lá em cima, tão brilhante. Vamos estar lá, tão juntos como aqui.



– Ottávio desviou o olhar para onde estava Nofrete e viu-a disfarçadamente compondo as pequenas plantas que decoravam a entrada do edifício… Depois, abraçou Rossana, pela cintura, e caminharam alguns passos na direcção do pequeno banco de pedra decorado com azulejos representando cenas da cultura egípcia.

E ali – fora do olhar de Nofrete – os dois amantes beijaram-se num ritmo cortado por desejos de vitória e rápido regresso à Paz.


- Querido vou pedir a Osíris que te proteja e dê força para vencer esta batalha…


Pronto Amigos! Mais um pequeno texto na sequência do anteriormente publicado, e conforme o prometido. Um abraço!